quarta-feira, 6 de junho de 2018

TIA ZINHA, SUA VIDA, UM GRANDE EXEMPLO DE FÉ

Tia Bebé, Tia Zinha, Marinalva e Brenda 
Tia Zinha, como é conhecida de todos, é exemplo de imenso amor a Deus, de dedicação às pessoas, de fé inabalável em todos os momentos de sua vida.

Para quem teve ou tem o privilégio de estar ao seu lado, logo percebe a sua grandeza espiritual, a sua alegria de viver, cujo semblante feliz e calmo, irradia a beleza da sua alma. Quando lhe perguntamos qual o segredo dessa felicidade, ela, a sorrir, nos diz: A minha fé, eis o segredo.

Muito simples, de extraordinária humildade, essa é a sua forma de viver. Ela desconhece a maldade, a vaidade ou frivolidades do mundo. No seu coração, não existe lugar para outros sentimentos, a não ser a bondade, a generosidade, o amor, a caridade, de uma vida santa, devotada ao trabalho e a oração.

Luzia Alves Bezerra (Tia Zinha), a quinta filha do Sr. Piroca e de Dona Ermelina, nasceu no dia 12 de dezembro de 1915, na casa grande, do alto da lagoa onde também moravam, naquela época, seus avós Norberto e Izabel. Nesse mesmo local, foi erguida a primeira capela de Santa Rita, onde se reuniam para rezar e assistir missas, celebradas por padres vindos de Santo Antônio de Jacobina.

Posteriormente passou a residir na Fazenda Mulungu e na Rua da Matriz, na casa atual, junto à Igreja. Aos dez anos de idade, já participava dos trabalhos domésticos com sua mãe; com ela aprendeu os bordados, como bainha aberta, ponto de cruz; fazia renda de bilro, de barafunda; aprendeu a fiar com o fuso e a costurar, pois sua mãe, foi eximia costureira de todos os tipos de roupas masculinas e femininas. Também na culinária ela nos surpreende nos doces, bolos, no requeijão e sequilhos, que é um sucesso. O que ela considera de mais importante, é a verdadeira crença a Deus, o amor e serviço ao próximo, que aprendeu do seu pai, muito religioso, um homem de fé que costumava viajar às cidades vizinhas, Saúde, Itinga, Caém, a cavalo ou mesmo à pé, para participar das comemorações religiosas, das festas de padroeiro, das santas missões, para os batizados, levando toda a família, a criançada... A fim de permanecerem juntos, o tempo necessário, alugavam uma casa nessas localidades.

Na sua vida de pura castidade, não conheceu o matrimônio, nem ao menos o namoro, sempre a cuidar cuidadosamente de cada irmão e irmã, como um filho ou filha, e dedicou-se extremamente aos seus pais. Atualmente, vive em companhia de Tia Bebé, sua irmã, com 95 anos de idade, como se fossem almas gêmeas. Todos têm o seu amor e, por esta razão, a chamamos carinhosamente de Tia Zinha.

Em 1938, aos 23 anos de idade, ela foi vítima de uma febre, que durou 30 dias. Sua salvação seria a “914”, uma injeção, o único recurso daquela época, que deu resultado. Porém muito enfraquecida, passou um ano sem andar. E aos poucos, com grande força de vontade, voltou ao normal. Em 1955, seus olhos foram acometidos de glaucoma, sendo tratada e operada, tendo a visão recuperada dos dois olhos, quando o próprio médico, Dr. Humberto de Castro Lima, considerava um milagre esse acontecimento.

Depois de certo tempo, ela perde a visão de um dos seus olhos. Submeteu-se a uma segunda cirurgia, mas foi em vão, passou a enxergar, daí em diante, apenas de um olho somente. Assim, se passaram 25 anos, e ela de repente, fica completamente cega. Devido a uma catarata, até então, desconhecida no Brasil. Os médicos, então a desenganaram, ficamos todos muito tristes, porém, a sua fé foi bem maior, indo ao encontro do médico citado, conhecedor da doença, através de estudos feitos nos Estados Unidos, que a operou novamente, obtendo sucesso. Ela tem a sua vista recuperada. Eis que mais um milagre acontece, tia Zinha volta a enxergar pela fé, protegida pela santa do seu nome, Santa Luzia, cuja devoção vem dos antepassados e, na ocasião da comemoração, dia 13 de dezembro, saíam em procissão até a casa de tia Joana, onde realizavam a novena. Por isso, todos os anos, a treze de dezembro, comemoramos juntos a ela, a Festa de Santa Luzia, que também é a celebração do seu aniversário.

Durante esses anos, cada vez mais, seu corpo e pernas enfraquecidas, porém manteve-se sempre ocupada. Dedicando-se aos pequenos serviços, assumiu o controle da casa, até cerca de 92 anos. Jamais deixou de costurar, fez muita bainha aberta, desse modo, presenteou a centenas de pessoas, e enviou toalhas para Igrejas e Hospitais, sendo seus trabalhos, com mensagens do Anjo da Guarda e de Santa Luzia, vivendo em constante oração, conversando e aconselhando a todos.

No dia 17 de Agosto, de 2008, acometida de um AVC, devido a uma queda, entrou em coma por vários dias, e passado um mês, saiu do hospital, sem esperança de vida, sem fala, sem enxergar, seus rins e intestino, não funcionavam, sentindo dores terríveis. Mais uma vez o milagre acontece. Ela vai recuperando-se lentamente, apesar de se encontrar com o seu lado direito paralisado, ela está bem, com lucidez mostrando-se preocupada, sempre com todos. Nesse período ela recebeu o Sacramento da Extrema Unção e comunga constantemente, pelo Padre Charles, Padre Tiago, Padre Roberto e outros ministros da Igreja Católica Romana.

Apenas saiu da cama na cadeira de rodas, para assistir a chegada da imagem do Senhor do Bonfim e no dia 28 de novembro de 2009; permaneceu por pouco tempo na igreja, durante a celebração da festa da padroeira Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com a presença do Bispo Diocesano Dom Francisco Canindé Palhano.

Outro fato importante é que ela sempre apresentou problema cardíaco, segundo exames feitos anualmente e por último avaliada por Dr Roberto Micol (cardiologista) até os seus noventa anos. Hoje os médicos que a acompanham como Dr. Marcelo Alves Santana e Dr. Cândido da Nóbrega, afirmam que o seu coração funciona perfeitamente.

O melhor remédio para suas dores, para o seu alívio e conforto vem sendo sempre a oração. Reza e pede aos outros que também rezem.

Com a voz baixa e suave esconde a força de uma grande mulher, que nos dá o exemplo de vida. Agraciada de Deus, ela vive através da fé, tem a luz dos olhos, pela fé, e nos vê também com a mesma fé, aos 94 anos de idade. Para mim, ela é mais que um presente de vida, ela é o meu anjo da guarda e de luz, que está sempre a me guiar. Agradeço a Deus, por tê-la como mãe e por sua bela e nobre existência. 
 Em 13\ 12\2009.

MEMORIAL A MADRINHA BEBÉ NOS SEUS 95 ANOS DE VIDA


Na faustosa primavera,
Já chegando o quente verão
Em 14 de novembro de 1912,
Uma linda menina nasce,
De todos a alegria e afeição.

Nas terras de Umburanas,
Pedaço de chão baiano,
Conduzida por seus padrinhos,
Recebe a marca cristã,
Pelo sagrado batismo.
É chamada Izabel,
Que significa bela Elisa.

O seu pai era,
Albino Barbosa de Souza,
Vindo do Crato, Ceará,
Radicou-se na terra bonfinense,
Dedicando-se a agricultura,
E a criação de animais.
A sua mãe, a umburanense,
Maria Margarida de Souza e Silva,
Uma eximia costureira,
Fazia as mais belas roupas,
Do figurino da época.

De olhos e cabelos negros,
Por Bebé, sendo chamada,
Graciosa a pequena morena,
Cresce com seus oito irmãos:
Elvira, Eulina, João, Laudelino,
Francisco, Otília, Nelson e Aldacina.

Ainda menina-moça,
Veio morar em Bonfim de Vila Nova,
Para ser educada na cidade
E também frequentar a escola.
Da senhora Francisca Hermenegilda da Silva,
Recebeu carinho, cuidados e atenção,
Dotando-se dos bons valores,
Habilidades e boa instrução.

Logo, a bonita jovem
Tem a admiração e simpatia,
De Fernando, um rapaz inteligente,
Que conquistou o seu amor,
E uniram-se, os dois corações,
Pelos laços do matrimônio.

Dessa bela união,
Nasceram os seis amados filhos
Maria Izabel, a professora Mariazinha,
De abnegado serviço em Senhor do Bonfim,
Hernane, contador do Banco do Brasil,
Luís, professor, funcionário do Banco do Brasil,
Paulo Fernando, engenheiro arquiteto,
Jorge, engenheiro civil,
E Marilda, professora,
Foi secretária da Câmara de Vereadores,
Atuou no Cartório de Causas Familiares,
Entre outras atividades.


O seu esposo era filho,
De Manoel João da Silva,
E de Francisca Hermenegilda da Silva,
Já mencionada;
A sua irmã Eulina,
Casou-se com Flávio, seu cunhado.
Um jornalista, dedicado.

De todos os seus irmãos,
Ela e Nelson,
Vivem a bênção da longevidade,
Os demais já se encontram,
Na sua eterna morada.

Em 1983, a morte a separa,
Do seu esposo amado,
Cuja memória é renovada,
Pelos relevantes serviços,
Como contador eficiente,
Da Prefeitura da cidade.

Na sua trajetória de vida,
Viu o mundo transformar,
Pela nova era das máquinas,
Com a chegada do trem de ferro,
Do carro, do telefone, do avião,
Do cinema, do rádio e da televisão.

Sentiu os clamores das secas grandes,
E da triste guerra mundial,
As crueldades de Lampião e seu bando,
Pelo nosso imenso sertão.

A sua história de vida,
Foi crescendo com a cidade,
Viu nascer a Diocese em 1933,
A chegada do primeiro bispo,
Das Sacramentinas e dos Maristas.

As comemorações cívicas e religiosas,
O tradicional São João,
A devoção a Santo Antônio,
Dos seus antepassados,
Por sua filha Mariazinha, é preservada,
Com o santo de casa em casa,
Em festejos e novena.

Esposa e mãe devotada,
Nas costuras e nos bordados,
Aos trabalhos com retalhos,
E à arte culinária.
Extremamente religiosa,
Tendo o terço, preso às mãos,
Com seus versos nos surpreende
E nos abençoa, as suas orações;
Nos conta muitas histórias,
Relembra o tempo da infância,
E da sua mocidade,
Do seu velho cachimbo
E do charuto que fumava.

A sua voz é doce canção,
Transformada na poesia,
De imenso amor e saber,
Que nos anima e inebria,
Agradeço a Deus pela vida,
E pelo dia especial,
Que tornou-se minha madrinha,
Na pia batismal.

Receba pois, nesse memorial,
Meus afetuosos parabéns,
Junto aos seus filhos presentes,
Aos 22 netos, aos seis bisnetos, três tetranetos,
Parentes, amigos e amigas,
Nessa celebração jubilar,
Da grande festa da vida,
Dos seus 95 anos,
De alegrias e ternos amores,
Almejando-lhe saúde, felicidades,
De abençoada existência.                   
  Marinalva B. Santana – Senhor do Bonfim-BA, 14/11/2007  

HISTÓRIAS VERDADEIRAS

SÓ IMAGINAÇÃO DE DONA LUÍSA

Dona Luísa era uma velhinha muito bondosa, que residia numa casa simples, da Praça Castro Alves. Ela dizia que apesar dos vários filhos espalhados pelo mundo, Deus não a deixou sozinha.

“Tenho muitos vizinhos... Parecem bons para mim... Tenho a impressão... E essa garotada alegre que me faz sorrir, mas logo virão as férias e sentirei demais, a falta deles”. Pensava ela, porque a Escola fica situada defronte sua casa.

“E seu Moleza, então, que bondade de pessoa, é o meu melhor vizinho! O seu filho Pirinho, nem se fala! Mas, essa minha fraqueza... esse desânimo...”

As más influências, as coisas esquisitas que aparecem à sua porta, a consulta que fez a um “entendido”, lhe dá explicação para essa tristeza, de sentir as coisas, como que só andando para trás... Pensava ela. “Não vou mais à feira, nem à Igreja... Não sei se aguento ir ao banco, pegar o bendito dinheirinho da aposentadoria...”.

Toda a vizinhança a confortava e muito desejava que ela compreendesse o pensamento negativo que a dominava. Porém, os conselhos dos amigos de nada adiantavam para a velha Luísa. As coisas iam de mal a pior. A sua doença... Como se tudo, não bastasse, apareceu no seu quintal um despacho daqueles caprichados: Galinha morta, com farofa, garrafa de cachaça, velas pretas, sem falar no sapo espetado que já era freguês .

- “Cruz! Credo! Agora sim, chegou o meu fim. Mas, vai pagar bem caro, quem fez isso comigo. Eu descubro... Vai vê só, e acabo com ele...”.

E começou logo a reunir fitas daqui, velas dacolá, alfinetes também, uma galinha preta, porque tem mais poder... Precisava acabar de uma vez com o inimigo. “Tudo pronto! Agora é só colocar na encruzilhada! ”

E dirigiu-se à porta da rua. Foi quando o seu Moleza, que só aguardava o momento exato para ajudar a velha amiga, saltou à sua frente armado de coragem e de muita seriedade e bradou com voz firme:

“Fui eu Dona Luísa”!

-“ Mas, meu filho, não acredito, é uma brincadeira... Você, o meu melhor amigo?”

“Sim, eu mesmo, pode crer. Foi o único remédio que encontrei para fazê-la acreditar que a sua doença, não tem nada a ver com essas coisas que aparecem por aí. E continuou...

“O medo e a superstição. Dona Luísa, causa grande impressão tirando o que existe de mais significativo nas pessoas... O gosto de viver”.



Apesar de tudo, Dona Luísa sorria desconfiada, e agradecendo o amigo, gaguejava: “Tudo vai passar... Juro que vou esquecer essa infeliz imaginação! Pedirei muitas forças a Deus, buscarei fé na religião e com certeza, acreditarei em dias melhores!”

“TI MÍLIA”, PETRONÍLIA

Emília Oliveira Bezerra assim era o seu nome, mas para conquistar o seu coração havia quem a chamasse de Emília Petronília, o fato é que ela era muito afeiçoada aos Pereiras de Saúde-BA, dos quais tinha admiração aos irmãos, Petrônio, Edgard, Osvaldo...

Poucos ficaram sabendo que ela, através do Pro Leigo, foi professora leiga nesse município e, por motivo de força maior, ficou impossibilitada de continuar na função.

Sempre atenciosa, sorridente e extrovertida, ela vivia em companhia das sobrinhas Patrícia, que a chamava de Patrécia, e Carlinha. Tinha a amizade de Lucila, que a tinha por Lucília, a qual não saia de sua casa. Jamais deixou passar em branco os seus aniversários, que eram sempre lembrados com um gostoso bolo.

Toda a criançada adorava os deliciosos quitutes que ela fazia.

Ti Mília era muito devotada aos trabalhos domésticos. Trazia a casa, os móveis, os utensílios e tudo brilhando.

Costumava preparar seus remédios com as plantas do quintal, das quais extraia uma seiva que injetava no seu braço.

Ela dizia assim:

- Ô Lucilia vem cá, vá no Zezito e traz biscoito, feijão, manteiga, uma massa para cuscuz.

- Fecha a porta Lucília, anda ligeiro e cuidado com o Carcará!

Nisso gritava Patrícia:

-Ti Mília, acuda, acuda, a “tartaruga” tá indo pro fogo, vai cair na panela do sabão! 

 - Corre Patrécia, chama a Lucília!

Respondia Ti Mília, muito preocupada e assim acontecia sempre.

Ela era uma pessoa especial. Partiu para a outra vida, mas deixou conosco a marca de um coração feliz e generoso.

“SEU” GABRIEL, “SEU” e RAIMUNDO CEGO



O DOM ESPECIAL DE “SEU” GABRIEL

Gabriel Imídio Ferreira, natural de Campo Formoso, desde os 10 anos de idade, trabalhou para sustentar-se e viu-se obrigado a ganhar o mundo, pois perdera os seus pais muito cedo.

Fez todo tipo de serviço que aparecia. De roça, nas pedreiras, servente etc. Chegando a Pindobaçu, casou-se com Dona Maria, e vieram para Caldeirão Grande, onde trabalharam vários anos na Fazenda Mulungu e a seguir se mudaram para a Rua da Baixa.

A sua família tornou-se muito grande, com o nascimento de 16 filhos. Depois passaram para a residência atual, que é uma das primeiras casas construídas defronte à lagoa, há mais de quarenta anos. Foi ele que derrubou o “pé de cajá de Tode”, devido à meninada que não dava sossego.

O fato surpreendente é que, quando sua esposa ia dar a luz, jamais necessitou chamar a parteira, porque Seu Gabriel estava ali, pronto, para a função. Esse dom especial, que recebeu da própria natureza e que não teve a oportunidade de frequentar a escola.

Desse modo, fez o parto com sucesso de 14 filhos seus e de quem dele precisasse. Ainda para cicatrizar rapidamente o umbigo dos recém-nascidos, colocava sobre o mesmo o pó da sola de couro de boi, torrado, pisado e peneirado. Duas crianças apenas nasceram no Posto de Saúde da cidade.

Atualmente, ele aos 70 anos de idade, possui a sua roça, na Fazenda Cacimbas e Dona Maria, com 75 anos, vai e vem a pé, trazendo um grande feixe de lenha sobre a cabeça.

SEU RAIMUNDO CEGO

Raimundo Cesário Correia nasceu no Crato, Ceará, e aos dez anos de idade, resolveu abandonar a sua casa e sua família, devido a severidade e a forma violenta como o seu pai o tratava.

Passou por vários lugares, trabalhava e seguia viagem. Desse modo chegou a Senhor do Bonfim-Ba, onde ainda garoto, trabalhou em carvoaria, frequentou a escola e nesta cidade conheceu a bela Cassimira, descendente de cabocla, despertando uma grande história de amor, porém os pais da jovem não aceitaram essa união, então os dois apaixonados, fugiram para iniciarem uma nova vida em outro lugar.

Chegaram a localidade de Gonçalo, na Fazenda Várzea Danta, onde compraram uma propriedade, estabeleceram-se, dedicando-se à agricultura e à criação de animais.

Esse homem corajoso, trabalhador e de muita fé, foi vitimado pelo destino, perdendo a visão, ainda bastante moço, aos 17 anos de idade, quando separava a mamona, uma casca afetou-lhe os olhos. Naquela época que não havia recurso algum, mesmo assim ele procurou “entendidos”, não obtendo resultado. Também aos 59 anos , procurou os milagres que acontecia em Itaberaba-Ba, no ano de 1960, porém foi tudo em vão. Seu Raimundo Cego, que assim ficou sendo chamado, continuou sem enxergar. Acontece que no decorrer de sua vida, desenvolveu muitas habilidades, tornando-se sempre ativo, locomovendo-se para todos os lugares, contudo impossibilitado para as atividades da lavoura, vieram para Caldeirão Grande, e aqui passaram a residir com seus filhos, na Rua Antônio Zabelê, onde colocaram uma bodega, que vendiam alimentos em geral e as raízes das 25 misturas, entre várias, a “quebra cama”, era a mais procurada. Segundo o seu bisneto, Edson, que o ajudava nessa preparação, revela o que o seu bisavô utilizava: Umburana de cheiro, pindaíba, pau de rato, alecrim do reino, rapa dos três cantos, (raiz encontrada numa encruzilhada de três cantos), cipó da nega, quitoco, caçatinga e outras que misturadas à cachaça e Jurubeba Leão do Norte, tornavam-se suas raízes especiais, apreciadas pelos bons efeitos, enviadas para a capital Salvador, para São Paulo e vários lugares.

Seu Raimundo cego, nos surpreendia pela capacidade que tinha, atendendo os seus fregueses, comprando mercadorias, ao passar o troco, conhecendo as notas antigas de papel, pelo tamanho e as moedas, através dos formatos. Ele nos mostra que, apesar da fatalidade, é possível vencer na vida com otimismo, com coragem, dedicação e perseverança, e tudo se alcança.

QUITEROS, A DILIGÊNCIA DE NEGUINHO
E OS BOLOTAS

O QUILOMBO DOS QUITEROS

Quitero de Tal, foi um escravo que comprou a sua alforria, assim permitido, antes de assinada a Lei Áurea, pela princesa Isabel que libertou milhares de escravos.

Quitero se estabeleceu em terras devolutas e inexploradas do Lajedo, com mulher e filho e, quando ocorreu a libertação dos escravos, dezenas deles foram juntar-se a Quitero.

O Quilombo cresceu e as famílias multiplicaram-se. Formaram uma pequena comunidade, onde cultivaram café, mandioca, feijão, banana etc. Aos domingos, caçavam, pescavam e faziam suas festas. Viviam todos em harmonia e obedeciam ao velho Quitero.

Em 1911, com a morte do seu fundador, o Quilombo desapareceu. Ainda existem remanescentes dos Quiteros, os quais habitam na mesma área do antigo Quilombo, porém, poucas pessoas têm o conhecimento desse fato.

A DILIGÊNCIA DE NEGUINHO

Manoel Jesus Guirra, apelidado Neguinho, morador da Praça Castro Alves, filho do conhecido Biluzinho e de Dona Maria Sancha, nos contou que quando criança, com oito ou nove anos de idade, numa certa manhã, passando pela Rua da Matriz, como era o seu costume, aconteceu que ao entrar na casa de Antônio Surdo, encontrou sua mulher, Dona Ersília, para dar a luz, e estando sozinha, pediu a ele que fosse de pressa avisar ao seu marido, que a esta hora encontrava-se na laje, para trazer a parteira imediatamente. Porém, Neguinho mal deu as costas, para sair, ouvindo o choro do menino que estava nascendo, ali na sua frente, que muito abismado, não houve outro jeito senão pegar o recém nascido e socorrer a mãe.

O S B O L O T A S

Não vai muito longe no tempo que dois garotos, tornaram-se tão conhecidos em Caldeirão Grande, despertando a atenção de todas as pessoas, aonde chegavam, por onde passavam... Trata-se dos irmãos gêmeos, Crispim e Crispiniano, filhos de Dona Maria Mucunã, assim chamada, porque ela sabia preparar o caroço da mucunã, como alimento, transformando em massa, para fazer o cuscuz, no período das grandes estiagens e secas. Processo que já era usado na Fazenda Espanta Gado, em Queimadas, onde ela morava.

Os seus filhos, apelidados por Bolotas, tinham um poder especial sobre os animais ferozes, peçonhentos e venenosos, fazendo-se diferentes das pessoas comuns. Eles saiam à caça de cobras venenosas e as atraia com uma reza ou simpatia, não se sabe.

Outros achavam que eles tinham um pacto diabólico, o fato é que eles aprisionavam as serpentes na sua própria casa, na antiga Rua da Areia.

O curioso é que os Bolotas desfilavam pelas ruas com as cobras dentro do bolso, enroladas no pescoço ou no braço fazendo suas demonstrações. Comentava João Moreira Pinho, conhecido João de Sirino, falecido, esposo de Glória Gama, que por várias vezes encontrava com os dois irmãos, trazendo cobras da Fazenda Três Morros e Várzea Nova, de sua propriedade.

Muitas pessoas viram Crispim e Crispiniano atraírem abelhas do cortiço para o chapéu, que colocavam na cabeça e saiam por aí normalmente sem que lhes acontecesse mal algum.

Sabe-se que os insetos somente eram libertados, quando eles queriam. É incrível, porém, como o impossível sempre acontece...

IGREJA, RELIGIÃO, RELIGIOSIDADE E ECUMENISMO

Antigamente era natural se dizer das pessoas católicas, pessoas religiosas. Evidentemente que o catolicismo dominava, seja por tradição familiar, costumes ou mesmo quando imposta. A religião estava ligada ao surgimento de vilas, cidades, no povoamento e colonização, conforme conta a História. Em Caldeirão Grande, este pedaço de Brasil, não foi diferente. Sobre o exposto tratamos no capítulo Origem da Igreja Matriz, deste livro.

Com o passar do tempo, foram surgindo outras denominações religiosas cristãs em todos os lugares e as pessoas passaram a professar não somente a religião católica e sim diversas denominações e religiões.

Atualmente o povo de Caldeirão Grande congrega em várias Igrejas e Casas de Oração:

Igreja Adventista do Sétimo Dia, na Rua Hélio Correia.
Igreja Assembléia de Deus, na Praça Castro Alves.
Igreja Batista Missionária, Casa de Oração na Rua da Matriz.
Igreja Testemunha de Jeová, Casa de Oração na Rua do Namoro.
Igreja Universal do Reino de Deus- Casa de Oração na Rua da Matriz.
Igreja Pentecostal, Casa de Oração na Rua da Matriz.
Igreja Universal da Graça, Casa de Oração.
Igreja Congregação Cristã no Brasil, Rua João Durval Carneiro.
Igreja Assembléia de Deus Ministério do Leste, Casa de Oração na Rua do Zabelê.
Centro Espírita Gotas de Luz, na Rua Hélio Correia.
Igreja Católica Apostólica Romana, Na Rua da Matriz.
Igreja Católica Apostólica Independente, na Rua da Esperança.


Pode dizer que Caldeirão Grande não forma uma Comunidade Católica e nem religiosa, é o que indicam as opiniões. Existem os grupos das diversas Igrejas que buscam principalmente expandir a irmandade entre os seus adeptos. Somente algumas, vêm desenvolvendo trabalhos que se destinam a formação das bases da moral e fé cristã, entre crianças, jovens e adultos, trabalhando a catequese e outras ações educativas, que envolvem a música, o teatro e outros setores a exemplo. É importante, porém significa uma gota no oceano de necessidades de um povo tão carente de Deus.

A violência acontece na família e se alarma, assim como os vícios, as drogas e o número de alcoólatras é preocupante tendo causado muitas vítimas. A família ora abalada e desestruturada não assume o papel de educar.

Educação e religião são inseparáveis; quando isso não acontece, se trata de uma difícil questão.

Por outro lado, não existe nenhum trabalho de apoio às iniciativas e a alguma atividade existente, no sentido abrangente por órgãos ou instituições.

ECUMENISMO

Convém notificar que o Culto Ecumênico tem-se expandido por toda parte. Ele existe para revelar a afirmação e o reconhecimento da diversidade de dons e ministérios concedidos por Deus a seu povo. Também vem mostrar que todas as religiões que nos conduzem a Deus são boas .

Ecumenismo é, portanto, a busca e vivência da Unidade na Diversidade.

(Carta Pastoral do Colégio Episcopal da Igreja Metodista sobre o Ecumenismo).