A partir da década de 1970, os desentendimentos entre potentados e Igreja se acirraram. A Igreja que no Brasil e no mundo passava por profundas transformações após o Concílio Vaticano; o Documento de Medellín na Colômbia, em 1968 com a presença de Paulo VI; o Documento de Puebla no México, em 1979 com João Paulo II.
Sob a inspiração desses documentos, o trabalho Pastoral da Igreja à luz Opção Preferencial pelos Pobres, as dioceses passaram a elaborar seus planos pastorais com suas prioridades da ação evangelizadora:
- Na organização do povo para combater a exploração no setor de trabalho;
- Na conscientização dos direitos do cidadão;
- Organização das Classes Trabalhadoras e outras.
Foram criadas: As Comunidades Eclesiais de Base, a Pastoral da Terra, o Movimento dos “Sem Terra” e outras Pastorais.
Naquela época, a Igreja tinha em vista organizar o seu patrimônio com a documentação de seus imóveis e outros bens. Ficou definido que o templo religioso (igrejas e capelas) ficaria restritamente para uso atos religiosos. Nenhuma outra atividade fora da linha da Diocese é permitida.
Existe o conhecimento que a Igreja além das próprias celebrações, sempre teve a participação nas festas populares cívicas e sociais da comunidade, o que ora se torna proibido.
O povo confuso acostumado a uma religiosidade arraigada de séculos e tradição não podia entender o que estava sendo religião. Aquilo que era certo e verdadeiro já não tinha importância como, a preocupação em salvar as almas. O que era considerado religioso para a Igreja, não era para os católicos.
Como acabar com as devoções, os festejos aos santos, as procissões, as novenas e romarias? Como passar por cima de tudo que a Igreja construiu? Como extinguir o Sincretismo Religioso introduzido no Brasil?
Essas mudanças e questões geraram o grande conflito. E a respeito da Teologia da Libertação, ora difundida no Brasil, se sabia que Joseph Ratzinger, que é o atual Papa Bento XVI, quando era cardeal em 1977, estando no Vaticano, como assessor de João Paulo II, foram 23 anos intervindo em questões de conflito e espinhosas como essas, ficou marcado como tradicionalista, usou sua mão autoridade para defender a doutrina da Igreja e advertiu alguns importantes teólogos com tendências ligadas a Teologia da Libertação, em particular, os latino-americanos.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
O CASO DA IGREJA DE CALDEIRÃO GRANDE
No dia 29 de Novembro de 1984, os formandos em magistério do Colégio Cenecista Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Caldeirão Grande-BA, pediram aos Padres Thomas e Antônio Tamari, às irmãs Zeli e Elvira a igreja católica (o templo) para realizarem a solenidade de formatura. Sendo o pedido negado por esses e pelo Conselho Paroquial. A seguir os formandos foram com seus representantes e alguns parentes ao bispo Dom Jairo que manteve a mesma decisão da Paróquia.
Em busca de uma resposta, os acionados se dirigiram ao Cardeal da Bahia, porém não houve nenhum acordo. A barreira do desentendimento se tornava visível e os rumores se espalhavam de que a Igreja ia ser invadida. Temendo tal fato, pessoas do clero decidiram fechar o templo. Reforçaram suas portas e colocaram um grande cadeado na entrada principal.
Obviamente o fechamento da Igreja causou grande sentimento de desgosto à comunidade, impedidos de realizar o culto de costume.
Aconteceu que no dia 23 de dezembro de 1984, às 19 horas, os formandos, padrinhos e familiares, reuniram-se em frente da igreja, enquanto algumas pessoas com ferramentas apropriadas abriram a entrada lateral, penetraram no prédio e retiraram o cadeado da porta central. Após terem realizado a solenidade, os participantes fecharam novamente todas as portas, deixando como encontraram. O delegado assistiu a tudo e por medida de segurança, colocou um vigia. Após o ocorrido, foram colocados novos cadeados; as portas foram reforçadas e a nível diocesano e paroquial, a igreja ficou fechada por tempo indeterminado, até nova decisão. O caso foi noticiado nos jornais, na revista Veja, no rádio e televisão.
Os considerados invasores do templo receberam uma carta de excomunhão temporária, na maioria pessoas da família Bezerra, de acordo a pena, de um a três anos, pela desobediência a autoridade religiosa da comunidade. Documento esse, expedido pelo bispo Dom Jairo que se sentiu incomodado em recorrer ao Código Canônico e disse: “Foi a primeira vez que utilizei este recurso e espero que seja a última”. (Revista Veja, 10 de abril de 1985, pg. 49). Esta pena recaiu também a menores e a anciãos a quem não tinha nada a ver com o caso, a outros que nem ao menos se encontravam na cidade, por pertencerem à família mencionada. Para as devidas providências foram registradas queixas policiais na Delegacia de Jacobina.
O tempo passava e os católicos insatisfeitos, resolveram abrir a igreja novamente às três e trinta da tarde do dia sete de fevereiro de 1985, alegando ser a família Bezerra a construtora do templo, dele se apossando, fazendo circular uma carta datada de 15 de agosto de 1985, comunicando o fato ao Papa João Paulo II, ao bispo Dom Jairo, a Dom Avelar Brandão Vilela, ao Pároco e às autoridades locais, condicionando a entrega das chaves e a mudança dos padres e das irmãs.
Como não houve acordo, a Diocese levou o caso à justiça que no mês de julho do corrente ano, concedeu-lhe uma liminar de posse e a igreja lhes foi devolvida. A seguir, recorreu-se ao Tribunal da Bahia que devolveu a posse à família responsabilizada na justiça.
O processo continuou e o clero exigia o documento de posse do prédio, coisa que nunca existiu porque ninguém foi o dono dela. O que se sabe é que quando antes da sua reforma em 1982, com a ajuda de uma entidade alemã, o Conselho Paroquial dirigiu um ofício ao prefeito da época, Pedro Bezerra Filho, questionando a situação dominial do templo, sendo por ele informado não haver nenhum dado sobre a propriedade legal da igreja de Caldeirão Grande.
Reveja os capítulos – Começo da História e Origem da Igreja Matriz, deste livro:
A sua história é tão simples, certamente com humildade e compreensão, tudo teria se resolvido. Quando os fariseus e herodianos perguntaram a Jesus, se é lícito ou não pagar o tributo a César, disse então o Mestre: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” O Reino de Deus não tem dimensão, muitas vezes inatingível aos nossos olhos, daí vem a conclusão: “Quem se contenta com pouco, cuidado porque vem a perder do pouco que tem.” É lamentável que a Igreja Matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Caldeirão Grande, tenha passado pelas mãos de políticos partidários até o julgamento final, numa acirrada disputa pela casa que representa o Templo vivo de Deus edificado aqui na terra. Diz a passagem bíblica: “E o que ligares na Terra ficará ligado nos Céus; e o que desligares na Terra ficará desligado nos Céus”.
Depois de 17 anos de luta na justiça a sua Casa volta para o povo, a quem sempre pertenceu.
É como se eu estivesse vendo Seu Piroca, sentado na calçada da Igreja, a chamar o povo que passava:
“Venham ! Venham Todos !
A Igreja é do Povo! Venham !”
Esse era o grande sonho do meu querido e saudoso avô.
O dia 17 de Março de 2002 ficou marcado com uma festa para a Paróquia Nossa Senhora da Saúde, e especialmente para a Comunidade Católica de Caldeirão Grande, pertencente à Diocese de Senhor do Bonfim. (Jornal Ressurreição e Vida) – 323, março de 2002.
CALDEIRÃO GRANDE - BAHIA: CONFLITOS DE TERRAS
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| Ruínas do Castelo Garcia d'Ávila - Praia do Forte - Mata de São João - Bahia |
Na Bahia, muitos portugueses receberam extensas sesmarias. Foi assim que surgiram os latifúndios que existem até hoje na zona rural do nosso estado.
A família Garcia D’Ávila, por exemplo, era muito poderosa em todo nordeste e chegou a ser proprietária do maior latifúndio de que se tem notícia no mundo: 800 mil quilômetros quadrados.
As expedições que desbravavam o interior do Brasil, eram chamadas de “entradas”, quando financiadas pelo governo e “bandeiras”, quando financiadas por grupos de pessoas.
Aconteceu que um descendente de Garcia D’Avila, Francisco Dias D’Avila, chefiou uma expedição, por volta de 1750, descobrindo minas de ouro no atual município de Jacobina. Dessa forma, um cidadão jacobinense de nome Dariovar Jacobina Vieira dos Santos, apelidado Tenteno, de posse de uma escritura de terras dos herdeiros de Conde D’Avila, apresentou–se no Fórum da cidade de Saúde, declarando ser o dono legal das terras que constituía quase todo território do município de Caldeirão Grande, partindo da Fazenda Boqueirão, passando pelo distrito de São Miguel, chegando a sede do município.
O processo encontrava-se em cartório, já por algum tempo e conforme seu conteúdo, ameaçava a centenas de pessoas perderem sua terra, roças, casas... Tudo que havia sido adquirido ao logo do tempo, o lugar onde viveram seus pais, avós, bisavós, tetravós, dos quais receberam como herança, um pedaço de terra, onde pudessem tirar o sustento, criar seus filhos. Herança essa passada verbalmente, com a morte dos seus antepassados, sem nenhum papel assinado.
Era o ano de 1977, A cruel notícia foi-se espalhando, causando medo, revolta, um escândalo, nunca visto na região.
A questão, uma bomba pronta para explodir, gerou o grande conflito entre os grileiros e posseiros, pois para estes, não havia tempo, nem espaço para defesa, visto que, faltavam poucos dias para acontecer o julgamento. A audiência já tinha dia e hora marcados.
AÇÃO DA IGREJA – COMUNIDADE E FETAG
Geralmente, os acontecimentos se dão com uma razão e no momento certo. A comunidade caldeirãograndense, através das pessoas que iam se revelando, mobilizou-se em torno da questão, buscando apoio, esclarecimento dos fatos, sobretudo união da população.
Nessa época, a igreja iniciava o compromisso de um novo trabalho dentro da Opção Preferencial pelos Pobres, marginalizados e oprimidos, cuja ação evangelizadora passava por grandes mudanças, no que se refere à valorização do ser humano, como pessoa íntegra e respeitada; seguindo as diretrizes da “DOCUMENTO DE PUEBLA” no México, em 1979, do Santo Papa João Paulo II, direcionado à América Latina, encontrando-se o Brasil nos padrões estabelecidos, conforme a situação de vários outros países.
O município de Caldeirão Grande teve a marca inicial desse trabalho com a Ação Pastoral do Padre Tiago de Assis Batista, quando vigário desse município, que sensivelmente favoreceu a formação das COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE (CEBs) entre outras significativas atividades pastorais, como Pastoral da Juventude, Pastoral de Canto e Liturgia e Catequese Escolar. A semente lançada germinou, despertando o surgimento de novas lideranças, principalmente, o conhecimento mais profundo e participativo da “Obra Missionária” no mundo.
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| Pe Orestes participa de reunião de trabalhadores rurais e suas lideranças |
Com Pe. Horestes, vindo da Alemanha, tivemos a colaboração, o apoio para a atuação da nossa equipe com a ação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Diocese de Senhor do Bonfim, tendo como bispo diocesano Dom Jairo Rui de Matos da Silva.
A missão desafiadora que ora empreendemos realizar, dirigiu-se aos trabalhadores rurais, pela evidência dos graves problemas e conflitos a que se destinavam.
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| Fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caldeirão Grande |
Devido à atividade educativa que eu exercia, por muitos anos, com os professores leigos, sendo os mesmo, homens e mulheres do campo, com os quais desfrutava bom relacionamento e grande confiança, dessa forma, não encontrei maiores dificuldades em lutar por atingir o objetivo proposto.
VISITA ÀS COMUNIDADES RURAIS...UNIÃO FAZ A FORÇA...POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO
Inicialmente contei com a ajuda parceira da catarinense Sirlei, voluntária vinda em missão, de extrema simplicidade, uma jovem cheia de bondade e desprendimento para todos, trazendo consigo o nobre e grande ideal de servir. Nela encontrei a amiga, a companheira, dividíamos as nossas esperanças, as nossas conquistas.. Juntas, seguíamos a cada pedaço de chão dessa terra, sendo a nossa coragem, o nosso guia. A cada caminho andado e descoberto, novas questões surgiam, quando as mais comuns, entre os humildes lavradores, era a ignorância dos seus direitos e a ausência dos documentos das suas terras. Foram vários meses, nessa jornada diária de reuniões, contatos e encontros questionando a importância da classe trabalhadora, fazendo o levantamento dos problemas principais do homem do campo.
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| Visitando às comunidades rurais |
Seguíamos todas as manhãs, carregando uma marmita, ou coisas simples, como o pão, biscoitos, frutas, que geralmente dividíamos, porém muitas vezes, servíamos o único alimento às crianças e, às vezes, a algumas paupérrimas e humildes famílias existentes. Nas localidades, roças, povoados conflitados na ocasião, o distrito de São Miguel foi o alvo das questões agrárias, atingindo o maior número de posseiros, a exemplo do Sr. Pedro Gomes, conhecido Pedro Coice, e familiares que, até os dias atuais, temos conhecimento de que ainda recorrem à justiça. Ainda trago na lembrança a imagem daqueles olhares confiantes daqueles rostos marcados, queimados do sol, semelhante às rachaduras da terra seca e escura, daquelas mãos calejadas da enxada, aquelas mulheres, algumas tão moças ainda, cujo filho a sugar-lhe o peito, a carregar outro no ventre e ainda um maior a puxar-lhe a saia. Porém aí, a gente encontrava o sentido da verdadeira felicidade, a emoção se repetia a cada encontro, naquelas tardes, debaixo das árvores, à sombra da casa, a cantar:
Oi que prazer que alegriaO nosso encontro de irmãos,Sereno da madrugadaGostosa é a nossa união.
A UNIÃO FAZ A FORÇA
A nova consciência dos trabalhadores, mediante a grande questão que os ameaçava, lhes fez acreditar na força da união, para conquistar os seus direitos e enfrentar o adversário. Dessa forma, em cada localidade surgiu verdadeiros formadores de opinião, animadores que numa linguagem de igual para igual, através de relatos, do saber ouvir, sensibilizavam a todos. Geralmente, se valiam de cantorias e de repentes como...
O povo reclama que é explorado,Mas o povo mesmo que é o culpado,Porque só reclama e fica parado,Não pode haver guerra,Com um só soldado.
Só tenho a enxada e o título de eleitor,Para votar em seu fulano educado,Que nada faz pelo pobre lavrador,Que não tem terra pra fazer o seu roçado.
Nos dias de feira, concentrava-se o maior número de lavradores, cerca de duzentos, trezentos, para avaliação, novas informações, esclarecimentos, contatos com outras comunidades. Na ocasião já contávamos com a presença da Federação dos Trabalhadores da Agricultura na Bahia (FETAG) através do assessor Dilermando, a quem muitos devemos pelos memoráveis serviços prestados, quanto à organização da classe, acompanhando em todos os processos na criação do Sindicato, propiciando o trabalho dos advogados, na realização de documentos dos posseiros, na resolução dos conflitos de terra, estabelecendo os devidos contatos com a CONTAG, com a Superintendência da Reforma Agrária e outros órgãos.
Por várias vezes, fomos considerados nessa luta, como comunistas, por pessoas que não eram capazes de compreender a importância deste trabalho.
Finalmente, chega o dia mais temível, a impressão é de que algo de muito grave estava para acontecer; porém, a comunidade mobilizada reuniu grande número de pessoas e partiram em caminhões lotados, carros, carroças, com destino à cidade de Saúde. Lembro-me como se fosse hoje, vi Caldeirão Grande vazia em silêncio, era uma manhã muito quente, de vinte e um de dezembro de 1980.
Armados de tudo que mais verdadeiro possuíam, o que pudesse provar que vivem na terra, no seu pedaço de chão, crianças, animais, instrumentos de trabalho, assim entraram a pé, lotando a Praça principal, a Igreja, a cidade toda tomada pela multidão dos quatro cantos, ouvia-se o clamor:
“O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO"!
Algumas comunidades vizinhas estavam presentes, através da Pastoral da Terra. Apenas as pessoas citadas e advogados penetraram no Clube de Saúde, o local da realização da audiência, enquanto todos ficaram a aguardar as notícias, que logo começaram a chegar. Em instantes, ficamos sabendo de que o adversário em vista da situação intimidou-se e retirou-se do recinto. A audiência fora suspensa, sendo adiada para outra data.
Dessa forma, o processo foi rolando ao passar do tempo, à medida que os posseiros foram organizando os documentos de posse de suas terras. Outra grande questão de terras explodiu em Ponto Novo, na região da Fazenda Pajeú, Contendas, Represa, Angico, Várzea Grande, áreas de terras devolutas, pertencentes aos herdeiros de Dona Iazinha do município de Jacobina.
Por vários anos, a população das terras conflitadas, conviveu com o sofrimento, pela falta de segurança, inúmeras ameaças, invasões e violência. Esse drama durou até acontecer a desapropriação das terras, seguindo do Decreto da Reforma Agrária, publicada em Diário Oficial, pelo então Presidente da República José Sarney.
Em meios a várias ocorrências e questionamentos, registrou-se um grande marco na história do homem do campo de Caldeirão Grande: A criação do SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS, em 22 do mês de dezembro de 1980.
JOÃO PEREIRA FILHO, VALDIVINA FERREIRA DA SILVA E MARIA DE LOURDES GONÇALVES SILVA
(D. Tutu)
(D. Tutu)
JOÃO PEREIRA FILHO
João Pereira Filho, o conhecido João Pau Ferro, homem simples e trabalhador da Fazenda Várzea Redonda, entre outros, se destacou pela luta e organização da classe dos trabalhadores rurais de Caldeirão Grande, com grande humildade conquistou a confiança e a amizade dos companheiros, sendo aclamado como primeiro presidente provisório do Sindicato em uma Assembléia de centenas de trabalhadores em 1980. Sendo eleito por voto, pela segunda vez, para presidente, atuando com eficiência e seriedade, junto aos diretores sindicais, FETAG, CONTAG e demais instituições.
Soube, com responsabilidade e perseverança, resolver os assuntos da classe e enfrentar os conflitos de terras, conciliando os desentendimentos, vencendo as barreiras com inteligência e determinação.
Esse homem tinha o hábito de boas leituras, era ouvinte assíduo da “Hora do Brasil” e noticiários. Era um trabalhador organizado, sempre residiu na zona rural, onde nasceram seus filhos e desenvolveram-se ao lado da sua esposa, Dona Francisca.
Sempre com os companheiros, na defesa dos seus direitos, honra a classe e Sindicato que ajudou a construir e tanto defendeu.
Rodeado dos amigos da Várzea Redonda, Umburanas, da região e da cidade, como sempre viveu, ele assim deixa esse convívio no dia 21 de abril de 2009, ao completar 74 anos de idade, registrando na história uma página de luta e de amor em prol dos seus companheiros, da sua família e de todos que o conheceram.
VALDIVINA FERREIRA DA SILVA
Jamais poderia deixar de mencionar o seu nome: Valdivina, essa mulher, mãe, esposa, companheira e amiga de todos, dedicou-se ao trabalho sindical, tendo sido eleita por votação, para Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Caldeirão Grande em 1983, sendo a terceira presidente, eleitos também, os respectivos membros, Diretores Sindicais.
Já não faz parte do convívio terrestre, porém permanece o seu exemplo de mulher, no trabalho em prol da organização da classe dos trabalhadores, pela sua luta e fé, tem a nossa amizade, reconhecimento e profunda gratidão.
MARIA DE LOURDES GONÇALVES SILVA (D. Tutu).
Maria de Lourdes Gonçalves Silva, mais conhecida por Dona Tutu, nasceu em Saúde, filha de Manoel (Manoelzimho) e de Alexandrina, juntamente com sua irmã Alzira, nessa cidade passaram a infância, onde foram educadas, frequentaram a escola, receberam instrução moral e religiosa, entre várias habilidades, como de costura, culinária etc., através de uma senhora chamada por elas de Titiá.
Casou-se com o Sr. Benedito e durante certo tempo fez várias viagens e conheceu lugares diferentes. Veio a seguir para Boqueirão, nesse município de Caldeirão Grande, local esse onde tem serviços prestados aos seus moradores, principalmente na educação, onde foi professora leiga. Também lecionou na Fazenda Pedrinhas e em outras localidades.
Os ex-alunos e todos que passaram por seus ensinamentos conservam a gratidão, a admiração e sobre tudo o grande exemplo do abnegado dom de servir.
Muito religiosa dotada de conhecimento e saber popular, organizava festas comemorativas, novenas e diversões.
Suas duas filhas são: Maria do Carmo e Maria Perpétua.
Esta senhora de extraordinária delicadeza, era uma conselheira para todos, orientava nos problemas e quaisquer situações. Nessa terra, o seu maior empreendimento humano foi o abnegado trabalho com as crianças órfãs e abandonadas, as quais encontraram o amor, carinho e cuidados de mãe na Associação dos Menores Abandonados desse município, (entidade filantrópica) cujo presidente era José Francisco de Oliveira (Seu Zuza) local que funciona a Igreja Católica Independente.
“Ainda peço a meus amigos: Tenham vigilância com esses pobres filhos desditosos que aqui ficam sem a minha companhia, porque são seres humanos e pela idade são dignos de compaixão” - trecho da carta que ela deixou ao despedir-se da associação, como ex-governanta , no dia 30 de abril de 1974.
Achando-se doente, foi residir em Salvador com sua filha Perpétua, onde, após ter se passado vários anos deixou o convívio terrestre. Posteriormente seus restos mortais foram trazidos para Caldeirão Grande, sua terra, onde os corações das pessoas guardam o reconhecimento e o amor a inesquecível Dona Tutu.
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| Dona Maria de Lourdes sentada, à frente, rodeada dos seus inúmeros alunos |
terça-feira, 5 de junho de 2018
BANDA DE PÍFANO, ROMARIAS...
BANDA DE PÍFANO
A Banda de Pífano ou Pífaro, também conhecida de Conjunto Calumbi ou Zabumba, de origem muito antiga, é um conjunto instrumental de percussão e sopro, cujos pífanos vieram da Suíça no tempo de Maurício de Nassau.
Na feição nordestina é uma criação do mestiço brasileiro que com sua criatividade e intuição musical adaptou o instrumental, dando-lhe a forma típica pela qual é conhecida no folclore brasileiro. Tudo é tocado de ouvido e passado de pai para filho, de geração a geração.
Em Caldeirão Grande, como em grande parte do Brasil, se vê reunir grupos de pífanos para animar festejos, comemorações, reisados, novenas, corridas de cavalos etc., principalmente no meio ruralista, a exemplo, as comunidades de Patos, Santo Antônio, Queimada Grande, Quilômetro 30 e de Riachão cujos componentes, Elísio (Zelinho), Amadeu, Pedro, e Aristides, no ano de 2002 levaram essa arte musical a capital baiana, quando fizeram uma bonita e atrativa apresentação no palco da Feira do Interior em Salvador.
Sabe-se que não existe nenhuma medida de apoio ou incentivo para sua manutenção. Desta forma alguma coisa deve ser feita nesse sentido afim de que seja preservada essa cultura musical popular apreciada por muitos e não venha a acontecer o seu desaparecimento.
ROMARIAS
As fotos mostram romeiros de Caldeirão Grande que chegam a Gruta do Bom Jesus da Lapa.
As romarias e devoções são de tradição muito antiga. As pessoas de diversos lugares costumam visitar anualmente seus locais de devoções, em busca de graças e da cura, como as romarias feitas na nossa região, às cidades baianas de Santa Luz, Monte Santo e principalmente a Bom Jesus da Lapa, para onde se desloca um grande número de romeiros todos os anos em caminhões e de ônibus, rezando e cantando pelas estradas. Depois do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. No Brasil, Bom Jesus Lapa ocupa o segundo lugar de devoção.
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| Bom Jesus da Lapa |
Em tempos passados essas viagens eram realizadas a pé, a cavalo, de acordo se tem conhecimento de pessoas da região, levando dias e dias caminhando, sem nenhum perigo, tomados pela fé, ânimo e o entusiasmo dos companheiros. As romarias se tornavam divertidas, ocasião esta, que se fazia amigos, simbolizando uma marca na vida de cada qual, além da devoção, se tornando um costume da gente e do lugar.
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