terça-feira, 5 de junho de 2018

GRUPO JUVENTUDE NO AMOR (G R U J U N A M O R)

Grupo de Jovens de Caldeirão Grande - 1977

A juventude caldeirãograndense no meado da década de 70, registra uma página especial e significativa na história dessa cidade.
Naquela época um grupo formado por inúmeros jovens atuava em diversas atividades e exercia ações junto à comunidade. Sentiam–se felizes, ocupados com boas obras e por poder repartirem o seu potencial, levando o exemplo e a mensagem de Jesus a quem precisasse. E nesse afã, reuniam-se para estudos bíblicos, reflexão, lazer e tiveram os melhores momentos dessa fase, própria de uma juventude equilibrada e sadia. Fruto este, resultante do trabalho da Pastoral da Juventude da Igreja Católica, aqui plantado pelo Padre Tiago de Assis Batista, quando pároco desse município.

Dentre várias atuações do grupo, recordam-se :

  • A hora do Ângelus;
  • Visita aos doentes e anciãos;
  • Arrecadação de remédios e alimentos;
  • Confecção de tijolos e de fossas;
  • Limpeza de áreas como a lagoa e laje;
  • Mobilização e mutirão para reparos e construção de moradias para pessoas carentes, a exemplo da casa de Dona Juvina;
  • Viagens pela região com grupo de teatro.

A foto recorda o aniversário do GRUJUNAMOR de Caldeirão Grande, em 1977, com a presença de componentes dos grupos jovens de Saúde, Jenipapo, Gonçalo e de Jacobina, após reunião na antiga Biblioteca Municipal Jorge Amado.

Citamos alguns nomes entre inúmeros do Grujunamor:

Antônio Matos, Juarez, Joevan, Maristela, Araceles, Amanda, Suzana, Neime, Toninha, Rege, Zetinha Amâncio, Neide, Joricéia, Dalva, Marcinha, Valdeci, Nelson da Idália, Edson Gama. Gracinha, Jerônimo e muitos outros.



O movimento jovem prosseguiu por alguns anos, lembra Maria Eulina Bezerra, que juntamente a outros jovens que ingressaram em novo grupo e realizaram vários trabalhos sociais, como reparos e construção de casa na Rua da Lagoa.

ESPORTES E ARTES

ESPORTE

Modalidades do esporte são praticadas nas diversas localidades dos municípios, nesse caso, Caldeirão Grande sempre promove campeonatos municipais e regionais, torneios, apresentações, o que ocorre no futebol, vôlei, nos grupos de karatê, de capoeira e outros. Embora muito pouco se faz ainda em prol da organização, desenvolvimento, divulgação e incentivo, visto que somente quando se formar a consciência de que o esporte é de fundamental importância para os povos, quando essa prática for considerada como uma cultura de todos, certamente ocorrerá a transformação para um mundo melhor, com menos crimes e violências, porque esporte é vida, é cultura, é disciplina. Portanto, esporte é educação.

“Mens sana in corpore sano” (uma mente sã em um corpo sã), esse dito latino confirma a união e a complementaridade que deve ter o corpo e a mente.

ARTES

Em cada obra de arte esconde um universo, uma mão humana, sua emoção, seu ideal, uma história de vida, lembranças, uma época, um lugar.

No barro, na madeira, na pintura, na música, na poesia, reside a alma da pessoa a transbordar de sentimentos, que ao tocar o coração do outro, faz encontrar suas almas.

As artes da literatura, dos escritores, dos poetas, pintores, da literatura de cordel, dos grupos de teatro, de danças, da música, o artesanato, o folclore local, tudo o que o nosso povo produz, considerado cultura popular, assim como o esporte e outras criatividades e manifestações, necessita de um espaço cultural, afim de que os trabalhos sejam valorizados desenvolvidos, preservados e de acesso a todos, considerando ainda que o município de Caldeirão Grande possui um número de pessoas que fazem uma grande variedade de trabalhos artísticos.

Espera-se do poder público, das instituições e das pessoas engajadas, nesse processo, uma resposta positiva, porque se trata de um investimento na educação, uma exigência necessária a melhoria de qualidade de vida de uma coletividade.

SAÚDE E DEFESA DA VIDA

SAÚDE

Desde os primórdios que o homem com o seu saber comum, na luta pela sobrevivência, utiliza os recursos da natureza, experiências e tudo que aprendeu transmitido de geração em geração, no seu benefício e na cura das doenças.

Com o progresso da ciência e da medicina e no que diz respeito aos meios de prevenção, a saúde melhorou consideravelmente.

Porém esses recursos não chegam a uma grande maioria da população, que são as camadas pobres e de baixa renda da sociedade. Ainda que os programas existam, não funcionam ou funcionam mal. É o que se vê constantemente. O péssimo atendimento, a falta de médicos e de transporte, filas de espera intermináveis, hospitais lotados sem condições higiênicas. Em consequência da situação é grande o número de pessoas que em busca do recurso nas grandes cidades e capitais, não chegam a serem socorridas, por falta de vaga, por ser tarde demais, ou morrem a caminho.

É lamentável que nos dias atuais, ocorram ainda mortes de parto e de recém-nascidos pelas precárias condições, por falta de instrumentos necessários e, às vezes, por negligência, chega a fatalidade por não detectar e corrigir certas complicações eventuais. Também é assustador o número de crianças vitimadas pela desnutrição.

Na marcha em defesa da vida, a saúde é fundamental. Necessário se faz reeducar toda uma sociedade, principalmente na observação dos relevantes fatores a seguir:

- Alimentação;
- Hábitos de higiene;
- Exames periódicos;
- Evitar os riscos do alcoolismo, do tabagismo e das drogas;
- Prevenção das doenças sexualmente transmissíveis;
- Exercícios Físicos e Lazer.

DEFESA DA VIDA

Ter uma vida saudável, digna e respeitada é o que desejamos. Conscientes ou não, muitas vezes não agimos corretamente ou nos acomodamos, esperando tudo acontecer pela sorte ainda que se esteja acostumado a ouvir que se colhe aquilo que se semeia e sem se dar conta que de si mesmo, depende a vida que se tem e como parte do universo que somos pela Obra da Criação, o nosso compromisso e responsabilidade na defesa da vida se torna maior.

Acontece que a vida humana tem sido desvalorizada no cenário mundial. A tecnologia e a globalização que trouxe a felicidade e a resposta a tantas questões, a união dos países com a melhoria dos setores sociais e da comunicação, contribuiu evidentemente para o avanço da criminalidade, da fome e desigualdade social.

Nos últimos anos o Brasil entrou no grupo das sociedades mais violentas do mundo. A violência contra o ser humano é cada vez mais inaceitável e repudiada quando leva ao óbito por causa “ não natural “ à pessoas inocentes, sendo as crianças, as maiores vítimas dos piores maus tratos, explorações, espancamentos, terríveis assassinatos, abuso sexual, estupros, na própria família, martirizadas por pedófilos, drogados, doentes mentais e inúmeros casos praticados por elementos que ocupam cargos na Justiça, no Legislativo e Administrativo do país e noutras camadas sociais.

Este é o Brasil de hoje, a mancha escura que permanece, a lamentável memória para o Brasil de amanhã, infelizmente é a realidade. Logo se vê os menores em retorno, impondo armas perigosas, roubando e matando, em confronto com os pais, na rua, escola, em todos os lugares.

O país tem altos índices de violência urbana, violência doméstica (na família), sendo consideradas de maior frequência os homicídios e acidentes de trânsito, devido a imprudência ao dirigir em altas velocidades, embriagado e por menores. É o que se presencia não somente nas grandes metrópoles, mas vem acontecendo também nas cidades interioranas.

Considera-se que o desrespeito, a prepotência, crises de raiva por fracasso e frustração, confronto entre gangs rivais, exploração, o calote, a mentira, a traição, questões banais (por alguns centavos, um palavrão, empurrão), os desejos de vingança se materializam sob a forma de roubo, assalto, sequestro, agressões e assassinatos.

Sabendo-se que essa é a principal causa da violência, é necessário combater os diferentes tipos de desrespeito; (o econômico, social, conjugal, familiar) e entre as pessoas (a má educação). Geralmente, até o comentário desses fatos incomoda. Calar-se, não seria esse o caminho, porque o pior cego é aquele que não quer ver. O governo precisa diminuir as explorações econômicas (as grandes diferenças de renda) Ouve-se o choro de crianças nascendo nas calçadas, o clamor do lavrador oprimido e humilhado, enquanto se gasta com tantos projetos menos importantes, deveria se investir mais na educação, saúde, habitação, agricultura, e podar a libertinagem principalmente na TV e no sistema educacional, estimular relacionamentos mais justos, menos vulgares, obviamente estaria dando prioridade a melhor qualidade de vida.

Necessita-se combater a corrupção, principalmente dos maus políticos que nada fazem. Devoram o dinheiro público e vendem a alma por todo o custo, para o seu bem estar, e ainda se dizem representantes do povo...

Precisa-se educar as crianças e adolescentes em casa e na escola com corretos deveres, com realismo e seriedade, afastando -os dos fracassos e dos vícios, pois se diminuir os ilusórios direitos, (causadores do desrespeito e da rebeldia), assim, não precisará colocar armas de guerra nas mãos da polícia para matar pessoas, como vem acontecendo com frequência.

Esse é o grande desafio. Também as questões bioéticas, devem ser conhecidas, não aceitando tudo que é imposto pela mídia, o que faz os cidadãos consumidores, a trocar, vender e comprar, sem compartilhar experiências significativas da vida. Portanto é de fundamental necessidade o repensar de práticas educativas do homem sobre o próprio homem, sobre o universo em geral, biológico, social e ecológico; informar e refletir sobre assuntos de extrema importância para nossas vidas que estão presentes no dia a dia como o aborto, transplante e pesquisa de células tronco embrionárias, inseminação artificial, transgênicos, clonagem, eutanásia, pena de morte etc.

Em termos pessoais é agir com o máximo de respeito diante de toda e qualquer situação, é combater a cegueira e ver que a vida humana é primordial, é sentir que somente o amor, essência da vida gera a justiça e a solidariedade entre as pessoas, para viver uma existência de plenitude e paz.

Jesus não mediu esforços para resgatar a dignidade das pessoas. A defesa da vida era o centro da sua pregação e ação. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”.

CURIOSIDADES

Consta que em 1930, os “Revoltosos” passavam em Saúde. O grupo dos Revoltosos era um grupo de homens da Revolução dos Tenentes Ala Norte, comandados por Juarez Távora, para dar combate aos “Legalistas“, comandados por Horácio de Matos.

O fato é que até hoje, em Caldeirão Grande, ainda se comenta sobre o grupo, que naquela época, bastava correr a notícia da presença do mesmo por perto, as pessoas fugiam e escondiam-se no mato, pensando que fossem os Revoltosos ou Lampião. Se desse tempo, mandavam um aviso para os que ainda não sabiam da notícia:

“Fujam e se escondam todos...
Escondam também os animais.
Não é pra criança chorar
Nem cachorro latir
Nem galo cantar,
Nem papagaio falar”.

O primeiro automóvel que entrou na Vila de Saúde e rodou na região, foi um Ford do ano de 1928 de propriedade do Sr. Antônio Miranda em 1930.

Por onde o veículo passava, ficavam todos admirados.
Também nessa época, passou na região o primeiro caminhão vindo de Salvador de Artur Costa Lima. De 1932 a 1940, começaram a trafegar caminhões na Vila de Saúde.

E o primeiro caminhão que entrou em Caldeirão Grande, foi da propriedade de José Cerqueira, trazendo centenas de pessoas às ruas, causando admiração e espanto para alguns.

Em seguida começou a rodar o caminhão, conhecido como MACK, de Edgard Pereira.

O primeiro automóvel de Caldeirão Grande, foi o jipe de cor verde do Sr. Edésio Mota, residindo nesse município. Depois o jipe do Sr. Nascimento, a seguir, outros carros de negociantes que aqui entravam na segunda- feira, o dia da feira livre.

Por volta do ano de 1938, Joaquim Dionísio, filho do velho Dionísio, que costumava trazer novidades de São Paulo, e que já naquela época organizava animadas corridas de cavalo e argolinhas, trouxe um enorme rádio de pilhas, com caixa de madeira e o colocou no seu Bar de Sinuca, na antiga Rua da Matriz. As pessoas pagavam ingresso para ouvir e conhecer o aparelho.

Em 1963, chega o primeiro aparelho de televisão, em Caldeirão Grande, comprado por Valdivino (Neném), em Jacobina, por CR$ 1.200,00 (mil e duzentos cruzeiros) que o instalou no seu Bar Continental, onde as pessoas faziam fila, com ingresso no valor de CR$ 0,50 (cinquenta centavos), para assistir as imagens.

A seguir, Zezito e Agenário, também trouxeram outros televisores para a cidade.

Galdino Ribeiro, do Riacho Bonito, conta que seu tio, Roberto Francisco Pereira, e sua esposa Persília, de Caldeirão Grande, com seu sobrinho Néu, saíram de Pedras Altas, a pé, rumo a São Paulo. Andavam, paravam, arrumavam serviço e continuavam andando. Gastaram oito meses, para chegarem a terra da garoa. Este fato ocorreu no ano de 1944. Sabe-se que o Sr. Roberto, ainda reside na grande São Paulo, sem jamais ter voltado à sua terra natal.

Florência era o nome de Dona Loura, filha de Petronília e Euzébio Bezerra, primeira esposa de Manoel Quirino. Ela estava para dar a luz necessitando de cuidados médicos. O Dr. Antônio Ramalho veio de Senhor do Bonfim a Saúde de trem, e a cavalo para Caldeirão Grande, a fim de fazer o parto, porém, não conseguiu salvar a criança.

No ano de 1947 aconteceu a maior epidemia de malária ou impaludismo, também chamado de sezão, foi tão grande o número de mortes, nas localidades carentes da zona rural, que conduziam o defunto, apenas numa rede, para enterrá-lo, logo em seguida, voltavam com outro, mais outro defunto, na mesma rede, e assim sucessivamente.

Na década de 30 e anos seguintes, existiu a injeção “914”, o único recurso, para combater a febre tifo, que o doente ao tomá-la, corria risco de morrer ou salvar-se.

Do tronco do Juazeiro ou pau de rato, após queimado, colocava-se as cinzas umedecidas numa lata, a seguir coavam e obtinham um produto, tipo soda cáustica, que os mais antigos usavam para fazer o sabão.

A Laje do Bró ficou conhecida, por ser um dos locais, onde o Bró após extraído do tronco do ouricurizeiro, chegava em jegues carregados, como feixes de cana. As pessoas batiam na pedra, até transformá-lo em uma massa, que usavam para fazer cuscuz ou de outras formas, até mesmo usado como único alimento, no período das secas. “Ficar para comer bró ou morrer”

O Riacho da Água Branca nascia na Serra do Papagaio (Saúde), corria por entre as serras, atravessava as caatingas, passava por onde é o atual Açude de Caldeirão Grande, corria pelas terras do povoado de Água Branca e ia desaguar do Rio Itapicuru-Açu. Esse riacho de águas cristalinas secou e a ação dos ventos encheu seu antigo leito de areia. A Fazenda Água Branca e o povoado, conservam o nome do riacho desaparecido.

O período mais prolongado de estiagem, registrado no município de Caldeirão Grande, foi de 1993, que teve a duração de um ano e quatro meses sem chover.

Dona Xixi foi parteira na Fazenda Várzea Nova. Além da sua devotada função, possuía o dom de amansar qualquer animal feroz. Bastava impor as mãos e dizer: Afasta... Afasta... Que a vaca, o boi, o bicho bravo, se tornava bem manso.

A bisavó paterna da Prof.ª Glória Guirra, Dona Ermelina, teve 22 filhos. Certa vez, sua filha Benvina, insinuou para ela, dizendo:
- Ora, minha mãe, a senhora devia ter completado os 24 filhos. E sua mãe lhe respondeu:
- Isso fica para você...

E não é que Dona Benvina, casou-se e teve os 24 filhos?

Teve gente que ampliou mais ainda a sua prole:

Dona Otacília, mãe da Madalena da Fazenda Santa Maria, teve 25 filhos.
Dona Regina, de Seu João do Quebra-Queixo, teve25 filhos.
Dona Antônia, bisavó de Solange de Chiquinho, também teve 25 filhos.

O latim não desapareceu como muitos pensam. Existe na região de Caldeirão Grande, um grupo de mulheres o qual forma um belo coral, que cantam em latim “as excelências” encomendação ao defunto. Estas rezadoras estão sempre prontas para o eventual chamado. São as seguintes senhoras:

Dona Donata, Dona Beta e Dona Antônia que gosta de jogar dominó e sinuca, de caçar, pescar e ela é pra tudo, assim diz seus amigos. Todas residentes da Fazenda Umburanas.
Dona Ester ex-professora leiga que reside na Fazenda Caiçara.
Dona Deline, muito disposta moradora da Serra do Imbé.

O fato é que se não rezarem tudo certinho o defunto não aceita, ou seja a sua alma não fica encomendada. A solução é começar tudo novamente.

Quanto ao cinema em Caldeirão Grande, as pessoas aguardavam com ansiedade pelo dia da segunda-feira, quando o Seu Balbino e irmãos, que negociavam com tecidos e confecções, após a feira, com seu projetor, passava filmes para uma grande plateia.

O cinema funcionava no salão de depósito de compra e venda de produtos da região de Edgard Pereira e de Alexandre Bezerra, que ficava sempre lotado. Se sentavam sobre os sacos de licuri e de mamona. A maioria que não quisesse permanecer de pé, levava cada qual a sua cadeira, banco ou tamborete, ás vezes na cabeça, pois o que não queriam mesmo era perder nenhuma sessão naquela época, quando mais que uma diversão era a grande atração para o público, filmes como: Tarzan-o rei das selvas, Jerônimo - o herói do sertão, Marcelino, pão e vinho, O Manto Sagrado etc.

Na década de 50/60, as programações musicais eram realizadas através da radiola de manivela ou de corda, depois vieram as que funcionavam com a bateria de caminhão (acumulador) que eram recarregadas em um gerador. Assim era transmitido para os serviços de alto-falantes, quando não havia luz elétrica. Quando a música começava a arrastar, era preciso dar corda, se lembra Nadinho que fez muito esse serviço, no Bar Imperial de Pedro Araújo (Pedro do Xanda) Quando a bateria descarregava, a festa acabava. Da mesma forma acontecia no Elite – Bar situado no Beco do Eucalipto de José Alves Brasileiro (Zezito).

Florêncio Pereira era uma pessoa alegre, bem humorado e gentil marchante, conhecido de todos, assim como Seu Esaú, Seu Amâncio e outros. Era filho de João Bento e Dona Martinha (parteira) exercia outras atividades, como lavrador, gostava de caçar e de pescar.

Era no seu bar situado na Rua do Namoro onde se juntava o grupo de boêmios da época. Manoel Cajazeira, Louro Malaquias, Valdir, Piuca, Amorzinho, Bimba, Seu Egídio, Seu Diga entre outros, que cantavam boleros, dançavam, sambavam, sapateavam ao som de viola, cavaquinho, sanfona e muitas vezes chegava lá uma banda de pífaros. Não podia faltar uma boa pinga e raiz nesse local onde negociavam cavalos e animais de raça, organizavam festas de argolinha e de reisado; ouvia-se também muitas piadas e anedotas.

O “Guará" já citado, também conhecido por Velho Alto, (por ser bem baixinho) era um bom funileiro, fazia vários serviços, como foles para acender fogo ou esquentar o ferro de passar, ferraduras de animal. Certa vez, ele se dirigiu à venda que ficava em frente ao local do atual Mercado Municipal, cujo dono era Seu Zé Pedro, (Zé Priquitinho) e lhe perguntou:

- Tem prego ?
- Não! Respondeu Seu Zé Pedro.
Passado uma semana, o comerciante encontrou com o Velho Alto na feira e foi logo lhe dizendo:
Velho Alto! Os pregos chegaram!
E este, lhe respondeu num só grito:
- Não tô lhe perguntando.

PARA NÃO ESQUECER

“A CARAVANA PASSA E OS CACHORROS LATEM “. Dizia muito entusiasmado o saudoso Reginaldo Pereira de Carvalho.

“LEVA TUDO PRO BAR DO XANDA, LEVA, LEVA”!
Diziam todos, e o próprio bem humorado e inesquecível Xanda!

“ AREPITA MAROTA“!
Pedia para repetir o que dizia tia Marota, o saudoso tio João Guirra.

DOS GRANDES COCHILOS DE SEU QUINCA!
Mesmo quando se achava num grupo de pessoas, conversando, de tanto cochilar que a conversa continuava em sonho. Inesquecível Joaquim Cordeiro Sales.

“DO CHÁ DA MEIA NOITE DO HOSPITAL“.
Era o que ela mais temia, lamentava tia Joana.

“ESTA É A REALDADE“!
Falava preocupado, nos discursos aos munícipes, o ex-prefeito Enedino Gama.

DO CIGARRO DE FUMO E DA BRANQUINHA.
Sentados ao chão, os eleitores e o tão estimado ex-prefeito Nelson Santana.

“CALDEIRÃO VAI MUITO BEM, OBRIGADO, IGUAL BOSTA N”ÁGUA!”
Referia-se aos problemas, com razão, o inesquecível ex-prefeito Altamiranda Maia.

“QUEM GANHA QUESTÃO NA TERRA, PERDE QUESTÃO NO CÉU”!
Com estas palavras, Seu Piroca deu como encerrada a grande questão com o Coronel Costa Lima.

MUITA COISA ESTRANHA APARECIA.
Era o Pepê que começava a aprontar das suas e tudo que aparecia de mal feito na cidade, ele colocava a culpa nos outros. Quando desapareceu o rádio antigo de caixa de madeira de tia Bebé e que depois foi encontrado enterrado no quintal, como se lembra muita gente, Pepê falou ter sido Nadinho o culpado, por serem amigos e andarem juntos.

Depois de algum tempo, Seu Quintino Branco, quando levantava umas paredes, era normal que durante o dia o serviço adiantava. Acontecia que no outro dia, se observava que as paredes estavam diminuídas. Apesar de terem colocado vigia para pegar o malfeitor, foi em vão. Então Pepê novamente afirmou que foi Nadinho o autor dessa operação. E foi assim que ele nunca se esqueceu da grande surra que levou de sua mãe Angelina .

DO GRANDE RÁDIO DE BATERIA DE QUINTINO SAPATEIRO!

Não dá para esquecer. A população comparecia em massa para ouvir o programa sertanejo de tardinha, ou a novela (O direito de nascer de Albertinho Limonta), e às vezes uma transmissão de futebol.

QUAL O DESTINO DA SUA GRANDE SUCATA?

Muito preocupado, o Véio se dirige a Jori, sua filha e lhe diz:
- Olhe, tire o que você precisar e apenas uma pequena parte é que deve mandar para a roça.
A caçamba veio e retirou um pouco dos objetos. Tudo bem. O certo é que não se sabe quantas viagens de caçamba será preciso para levar todo o material, guardado a tanto tempo, na casa de Zequinha Bezerra.

EDMILSON NÃO PODE ESQUECER DE ABRIR O BAR, LOGO AO AMANHECER ! Sabendo que os pontuais fregueses, Santo, Carlito, Xaropinho, Nadinho, Seu Nô, Perna Santa, Tonhão... Lá estão madrugando para o primeiro gole, quem sabe? E ainda ficam de olho na porta o dia todo.

O VISITANTE, NÃO DEVE SE PREOCUPAR AO CHEGAR À CIDADE !
Porque encontrará com certeza, no ponto de ônibus da Matriz, Alvino (Dabóia), conhecido coveiro do lugar. Bombeiro, usando seu boné vermelho e Alexandre, (Culelé), ex-guarda municipal, distinto, bem falante e disposto para as informações que precisar, ok?

“ SEUS BERROS JÁ TRAZIA A POPULAÇÃO ASSUSTADA!”
Era assim a sua voz, tão alta, João Berrador.

“ A MENINADA GOSTAVA TANTO DELA”
Ou, para lhe incomodar, não a deixava em paz, mas, no dia de sua partida, choraram muito, Maria Moura

“NEM ESTAVA INDO, NEM ESTAVA CHEGANDO”.

Com seu nome, tão extravagante,
Mané Carrola, cuidando da limpeza da rua,
O seu nome: Manoel Borges da Silva.

‘“DO MAIS SABOROSO QUEBRA-QUEIXO”
Sentimos o gosto, misturado às saudades,
Seu João do quebra-queixo!

“DE TANTA BANHA QUE ELA TIRAVA”
Mas era banha de sapo, de cada sapão, acabei descobrindo, servia de remédio, que ela levava, para os amigos do I N P S de Senhor do Bonfim, a “esperta” Tia Paulina.

OS MORADORES DA RUA DA MATRIZ NÃO NECESSITAM USAR O DESPERTADOR.
Para acordarem cedo, tem o rádio de Alexandre, ligado em todo volume, às quatro da manhã ou mesmo o seu vozeirão, certo ?

HOJE TEM ESPETÁCULO ?
TEM SIM SENHOR !

Respondia a meninada ao palhaço de pernas de pau, que ao passarem em frente à casa de Dona Mariquinha, batiam palmas gritando com toda força!

Ô DONA MARIQUINHA SEU CACHORRO ENTROU AÍ ?

ENTROU E TORNOU SAIR !

Naquela época uma tarde era do grupo dos meninos e na outra era a vez das meninas.
EU VOU ALÌ E VOLTO JÁ !
VOU TIRAR MARACUJ Á!

LEMBRANÇAS… MEMÓRIAS DO ENTARDECER (Poesias)... FINALIZANDO

LEMBRANÇAS

À sombra das algarobas,
Estou a contemplar
As águas prateadas da lagoa,
Pelo brilho do sol ardente,
Se afastando do horizonte infinito,
Que contorna o lenço azul
Do imenso céu,
Da nossa amada terra,
Dos licurizeiros! 

Tudo formava a mais alegre,
E encantadora paisagem,
A quantidade de patos
E galinhas d’água,
Sobre o golfo da lagoa,
Os pássaros em revoada,
Sempre tinham nas árvores,
Seus ninhos com filhotes. 

As borboletas de todas as cores,
E beija-flores, contornavam
Indo pousar sobre as margaridas,
Brancas e amarelas,
E florzinhas do mato!
Destacava-se a exuberância
Das palhas altivas,
Sombreando as mamoneiras,
Entremeadas da imensidão,
Das flores roxas de maracujá 

É como se estivesse vendo,
O “espantalho” grande boneco de pau,
De roupas extravagantes e coloridas,
Suspenso no arrozal, à beira d’água;
Mais adiante, as bananeiras 
E no fundo, a mata verde,
Que não existe mais... 

MEMÓRIAS DO ENTARDECER 

Eu queria ver...
Pássaros em bandos,
Curiós, sofrês, azulões, juritis,
Por todo infinito azul,
Voando...
Nas árvores, o abrigo
Encontrando... 

Ao cair da tarde,
Os beija-flores
À sombra dos ouricurizeiros
Banhando-se nos lajedos,
Beijando as flores de maracujá;
E as lavadeiras, a recolher as roupas
Do cercado... 

As borboletas,
Brancas, azuis, amarelas e pretas,
Voando baixinho...
Sobre as verdes malvas
E línguas-de-vaca,
Indo pousar nas florzinhas
De boa-noite e de alecrim... 

De galho em galho,
Dos umbuzeiros e dos juás,
Rolinhas e bem-te-vis
Pousando...
E na velha barriguda, o sabiá a cantar,
Patos, gansos e marrecos,
Nadando...
Os sapos a coaxar, o cric-cric dos grilos e cigarras,
Entre os cipós e samambaias... 
Sinto o cheiro do eucalipto;
E no meu rosto, a morna brisa...
Me vejo entre tantas moças
Faceiras... Lata d’água na cabeça
Passando pela trincheira,
Indo até os lajedos,
Com o namorado, encontrar. 

Ao anoitecer, eu queria ver
Pardais e andorinhas,
Em revoada, na torre da igreja
A se abrigar...
Corujas e morcegos,
Deixando os esconderijos, 

Nas calçadas,
O trac... plac do ouricuri,
As crianças felizes,
Ouvirem histórias,
Para dormir... 

Eu imagino ouvir
As seis badaladas do sino,
Lembrando a anunciação do anjo...
Da janela, eu contemplo
As casinhas pintadas,
Refletidas nas águas transparentes
Da lagoa calma,
Pelos últimos raios do sol;
Em silêncio, faço a oração
De louvor e agradecimento,
Ao Senhor da Criação. 

“Nessa nova era da tecnologia, o uso do computador tornou-se necessário. Porém o livro continua sendo em todos os tempos, o veículo indispensável às grandes viagens dos questionamentos próprios, para as fantásticas descobertas.” 

Marinalva Bezerra Santana 

“O que lembro, tenho" (Guimarães Rosa).

“FINALIZANDO...”. 

Embarcamos junto nessa viagem maravilhosa e cheia de emoções. Certamente conseguimos atingir o que objetivamos realizar nessa “obra”. 

Sei que sorri e me diverti, também chorei, sobretudo muito aprendi, pois descobri que todas as pessoas têm algo de útil e importante a ensinar-me. Como acontece, naturalmente, estacionamos inúmeras vezes, por motivos diversos. Sabendo que nessa trajetória, como a existência é breve, muitas pessoas vão desembarcando, deixando um grande vazio, com o infinito adeus. É realmente, dolorido e lamentável, portanto a vida, com seus reveses, desventuras, desagradáveis surpresas e trágicos acontecimentos; entretanto, repleta de sonhos, de fé e de méritos. Também, altamente preciosa nas conquistas que propicia para cada uma pessoa; por esta razão, tento aproveitar da melhor forma possível esta efêmera passagem, a minha valiosa oportunidade, ocasião propicia à constante sintonia com o próximo, quando posso sentir através das coisas mais simples, o valor de uma verdadeira e grande amizade, e encontro a satisfação, toda vez que posso servir a alguém, de alguma forma.

A todos, um grande abraço com agradecimentos. 

Marinalva Bezerra Santana.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Guia Cultural da Bahia – Ano 2001
Piemonte da Chapada Diamantina
Biblioteca Pública do Estado
Centro de Estudos e Informações
INEP  _  IBGE
Guimarães, Ordálvio Souza -  Informativos Técnicos _ Pesquisa
Memórias na Varanda  - Pereira, Raimundo Moraes. 2004. Saúde-BA
Informativos da Diocese de Senhor do Bonfim
Informativos da Paróquia Nossa Senhora da Saúde
Derrocada do Cangaço no Nordeste – Castro, Felipe de. Salvador-BA.1976.
Arquivos de Família -Fotos
Gráficos de Linhagem- Simplício, Rosângela Vieira
Revistas e Jornais da época
Depoimentos de Pessoas
Relatos da Autora